top of page

PATRIMÔNIO CULTURAL AMEAÇADO

Nisiane Madalozzo leciona na mesma faculdade que Jeanine, onde ministra aulas de História da Arquitetura. Ela também ocupa cargo no Conselho de Patrimônio Histórico de Ponta Grossa, como representante do Instituto de Planejamento (IPLAN) da prefeitura. Conforme consegue, usa essas posições para tentar preservar o legado histórico do modernismo na cidade.

 

Nisiane tem elaborado uma lista de edifícios modernistas relevantes que ainda preservam boa parte das características originais. Quando o trabalho for finalizado, deve ser encaminhado para consideração dos setores responsáveis na Fundação Municipal de Cultura.

 

Entretanto, a arquiteta prevê um longo caminho para que essas intenções de preservação sejam efetivadas. “Hoje, esse patrimônio está completamente desprotegido”, relata. “Existe uma dificuldade na proteção de construções que não são tão antigas. A proteção do patrimônio histórico no Brasil sempre focou no edifício eclético, colonial, barroco. Em Ponta Grossa, o que temos de patrimônio tombado é de uma época anterior à industrialização”, completa.

 

Sem esperar pelas ações governamentais, a professora e alguns de seus alunos mantém um projeto que pretende criar representações virtuais em 3D das construções mais importantes. “Tenho uma intenção muito forte de manter isso vivo. Alguns edifícios que modelamos já foram descaracterizados. Sei que só fazer uma representação é pouco, mas é o que podemos fazer dentro da academia. Quando essas casas forem mais valorizadas, teremos um acervo para exposição, para os museus”, conta.

 

Entretanto, não é apenas o governo que deve preservar a memória da cidade. Enquanto a população não for conscientizada quanto à importância de manter intacto um pedaço da história do município, muito ainda deve se perder. “Colocar isso de uma maneira imposta não é o caminho. Tem que preservar porque é importante. Empurrar isso goela abaixo não vai resolver o problema. É necessário que o proprietário perceba que tem um edifício especial e entenda que a preservação é um presente que ele dá para a cidade. Além de ter os próprios lucros, o empresário deixaria para a cidade algo importante como memória", finaliza Nisiane.

 

Hoje, nenhuma construção modernista consta na lista de imóveis tombados em Ponta Grossa. De acordo com Carolyne Abilhôa, da divisão de patrimônio histórico da Fundação de Cultura, isso aconteceu porque o processo de tombamento de patrimônio na cidade levava em conta edifícios construídos até a década de 40. Como a arquitetura modernista surgiu depois desse período, acabou sem proteção governamental. Ainda de acordo com Carolyne, não há previsão para tombamento dos edifícios.

bottom of page